Quando você menos espera que algo te surpreenda é aí que as coisas acontecem. Eu uso Linux desde que descobri que existia, antes de faculdade, antes do Windows 7, na época do Windows XP (é... eu sou dessa época mesmo). Sempre gostei de brincar com essas coisas e, naturalmente, quando descobri que a minha vida seria fazendo programas pra web, fiz meu dual boot e desde então, sempre fui do clube do linux. Até que surgiu o tal do WSL, desde então eu comecei a usá-lo, era convenientemente bom.
Depois de um tempo eu resolvi aumentar a minha complexidade, ser diferente de todos ao meu redor, ser o "expertinho" e comecei a usar um laptop velho que eu tinha como server linux pra rodar um ambiente de desenvolvimento para backend, ou seja, o cliente rodava no Ruindows e os serviços, no Linux. Isso funcionou por muito tempo, até chegar a atualização forçada do Windows 11. De início eu até gostei, porém, não demorou para a catástrofe começar: 32GB de ram que era como se estivesse com 8. O sistema usando 25GB em Idle. Eu abria duas IDEs e a máquina congelava. Isso acabou me obrigando a migrar para um ambiente dual boot para poder usar um sistema Linux completo.
Por um lado, meus problemas estavam resolvidos: Linux em idle usando 800Mb de ram, o paraíso! Pronto! Agora sim eu tenho RAM infinita, como nos velhos tempos de Windows 10. Um SSD comum, mas separado, o Windows não faz ideia que existe um Linux plugado em uma das minhas portas SATA, isso é ótimo, são duas máquinas em uma. A dinâmica mudou, agora eu consigo abrir as minhas quatro ou cinco instâncias da JetBrains e VSCode ao mesmo tempo, junto com o DBeaver e umas 20 abas do Firefox e o debugger no Chrome e um http-client pra fazer aquela festa. Até que o Linux me apresentou um outro probleminha: Single-thread Freezing.
Então chegamos no momento atual: minha máquina não é das mais modernas, mas é bem honesta: Ryzen 7 5800x, 32GB DDR4 3200MHz, RX6600 e um SSD comum para o Linux. Essa configuração não deveria me trazer problemas, assim como não me trouxe durante anos com Windows 10, mas, por alguma razão, isso tem acontecido recorrentemente: aparentemente o Linux tem uma mania de usar um core até arder e travar. E as minhas respostas eram duas: (1) esperar descongelar o refrigerador dos anos 2000; ou (2) meter o dedo no botão de reset. Até que eu resolvi, novamente, pesquisar e entender a raíz do problema e, eu continuei sem entender, mas uma coisa me surpreendeu tanto que estou aqui compartilhando: o linux tem macete (isso mesmo, igual super nintendo).
Alguns anos atrás eu descobri que meu carro tem um cheat-code: (1) aperta o botão de partida por 10s; (2) aperta o botão de neblina traseiro 5 vezes; (3) ative e desative o pisca alerta. Depois disso o ícone da bateria pisca no painel e o modo de economia de bateria está desativado. Esse é um macete legítmo do Ford Focus, dá pra acreditar? Eu não acreditei antes de executar, apenas fiz o procedimento por "desencargo de consciência" e quando o ícone piscou e o carro parou de apresentar a mensagem de economia de bateria, isso me deixou extasiado. É estranho ver essas coisas no mundo real.
Hoje eu descobri o REISUB. Talvez todos já saibam disso, talvez não. Eu, particularmente, nunca havia ouvido falar. O REISUB é um cheat-code do Linux para desmontar os volumes e reiniciar o sistema. Você segura `alt + print-screen` e digita, com um segundo de intervalo as letras R, E, I, S, U, B e BUM! O sistema simplesmente reinicia. Novamente, isso foi inesperado, não achei que iria funcionar, mas, estou aqui agora relatando essa feitiçaria Linux. Ainda não sei se isso resolveu o meu problema de freezing, mas que foi divertido, isso sim, foi demais.
Essa experiência renovou minhas energias em aprender coisas novas e me desafiar com sonhos antigos, esquecidos pela necessidade e perpetuados pela inércia. Espero que agora meu Linux pare de travar ou eu ao menos tenha uma forma de contornar a situação, caso contrário vou ter que voltar ao Windows 10.